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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Dia 2 e 3

Ontem excedi um pouco o número de calorias que tinha planeado (1800). Não resisti a um pastel de nata ao lanche e o jantar fora foi o melhor que me lembrei, no Joshua's Shoarma.
Hoje fiquei-me pelas 1800 cal. mas não me preocupei tanto com a qualidade das mesmas. Apeteceu-me um bolo e comi. Jantei whey com banana e um pouco de Nestum. Esta não é a melhor hipótese, mas a verdade é que eu andava num esquema em que comia de forma exemplar durante dois ou três dias e depois fazia grandes exageros. Com isso ganhei cerca de 2 quilos. Pode não parecer muito, mas sabendo eu o que me custa perder quaisquer 100 g, devia era ter juízo. Peso para registo: 64,3 kg.
Pior é mesmo continuar sem treinar. Para além do pé torcido continuo com os pés muito inflamados, o que me tira toda a vontade de fazer desporto.
Já fui à minha consulta de podologia e realmente era impossível que não tivesse dores a correr. Pés muito cavos mas pronadores (só raridades!). São também muito assimétricos, sendo que o pé esquerdo é relativamente normal, mas o direito está muito "torcido", o que resulta numa pronação maior. Veredicto? Palmilhas ortopédicas personalizadas e adaptadas à prática desportiva. Ando a gastar uma pipa de massa nisto, entre consultas não comparticipadas, palmilhas, a fisioterapia que terei que fazer e os ténis novos que terei que comprar. Mas espero que valha a pena e que possa voltar a correr sem dor.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

III Trail Montes Saloios

Primeiro pensamento quando acordei no dia da prova e ouvi a chuva: meto-me em cada uma! Os alertas de temporal pediam um domingo de sofá e ronha, mas já estava tudo combinado e tinha mesmo de ser. Chego a Covas de Ferro antes das 8:00 e começo a encontrar caras conhecidas. Ritual de distribuição de dorsais, ajustar equipamento, último xixi, última banana, último beijinho e lá vamos nós. Nos primeiros metros ainda vou a lembrar algumas palavras do pessoal mais batido:"vais com esses ténis?vais escorregar!" Mas era a primeira corrida do género e não quis investir em equipamento específico. Por isso parti com uns ténis de estrada velhinhos, quase sem rasto e um impermeável emprestado não sei quantos números acima do meu.
Partiu um grupo compacto em que mal dava para ver onde punha o pé seguinte mas que me permitiu observar a "técnica" e a escolha de percurso dos restantes atletas. Lama, pedras, chuva, vento, frio... E eu a adorar cada passo. Correr assim é tão diferente de correr em estrada! A cabeça vai ocupada a escolher a próxima passada e distrai-se do cansaço das pernas e da respiração. Chego à primeira descida a sério e percebo o que me diziam: com os meus ténis a lama parece manteiga e o trilho uma pista de patinagem. Abrando. Vou a medo, a apalpar terreno. Muitos atletas passam por mim a voar, mas não tenho coragem de arriscar uma queda. Faço a prova "ao contrário" corro nas subidas, ando nas descidas. Engraçado porque acabo por me cruzar várias vezes com os mesmos atletas:eles voam por mim nas descidas, eu arrasto-me passando por eles nas subidas. 


O ambiente é descontraído. Dá para trocar umas palavras de incentivo, ter alguém a quem me queixar da minha má escolha.
Primeiro abastecimento:água e fruta (mesmo o que precisava!), segundo "abastecimento": ginjinha em copo de chocolate (eh lá! com esta não contava!). Passo pela placa dos 15 km e tenho um segundo de desespero: enganei-me no caminho! segui para os 25 km! O que tem de ser tem de ser e lá me mentalizei para mais 10 km em que a chuva nos olhos mal me deixava ver a estrada. Mas afinal... ali estava ela, a chegada, para lá dos 16,5 km. Abrandei para me colar a um atleta porque o meu sentido de orientação estava a falhar por completo. Trocámos um "está quase" e entrámos um atrás do outro no pavilhão. "Parabéns! És a quarta mulher!" "Eu???" Decididamente sou perseguida pela sorte de principiante. Banho, roupa quente, a banana da praxe, uma sopa quentinha maravilhosa e estou nova. Nada de bolhas, nada de dores musculares. Fiquei a ver as chegadas e arrependi-me amargamente de não ter tentado os 25 km.
Balanço: dificilmente podia ter escolhido melhor prova de estreia. A organização dos Montes Saloios foi exemplar e o caminho de uma beleza incrível. A repetir sem dúvida. 

P.S. -  Não me enganam mais, já tenho os meus ténis de trail.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

GP Queluz

Este domingo tive a minha primeira prova do torneio das localidades, em Queluz de Baixo. A prova para o meu escalão é de apenas 4 km. E só vos digo: 4 km infernais! Primeiro porque é uma prova muito rápida, em que estamos sempre no limite. Segundo porque o percurso era muito exigente, com subidas muito acentuadas.

Foi muito giro ir a uma prova destas, em que participam muitas equipas de atletismo, e ver que realmente correr é o desporto mais despretensioso e de massas que existe. Vemos todo o tipo de gente a correr: mais velhos (muito velhos!), mais novos (bem pequenitos), mais gordos, mais magros, todos equipados a rigor, equipados com qualquer trapinho. Foi uma festa!

Sobre o Fim da Europa

Sem nunca ter feito esta distância, depois de duas semanas de choco absoluto e a recuperar de uma infecção respiratória, fazer os 17 km de subidas e descidas parecia-me missão para loucos. Único objectivo: começar e terminar sem parar de correr.


Parti sem relógio, sem música, sem objectivos definidos, propositadamente sozinha entre uma multidão de desconhecidos, e o que tirei desta prova é muito maior do que alguma vez esperei. Eu, que sempre odiei correr, ADOREI cada quilómetro.


Adorei o nervosinho da partida e adorei a energia estonteante da chegada. Adorei as descidas mas adorei ainda mais as subidas. Adorei o nevoeiro, as paisagens e o vento. Senti-me inspirada pelos atletas mais rápidos que eu, e uma grande empatia pelos que estavam em maiores dificuldades. Adorei que as minhas mãos não tivessem inchado, que o meu ombro não tivesse doído e só ter feito uma bolha Adorei não ter maldito a minha vida uma única vez durante o percurso - em vez disso senti-me afortunada por poder correr. Fiquei estupefacta quando aos 12 quilómetros passou por mim (e com que velocidade!) um atleta a correr descalço. Adorei os incentivos de perfeitos estranhos ao longo da estrada e adorei incentivar outros desconhecidos com quem me fui cruzando. Senti-me eufórica quando finalmente vi o farol do Cabo da Roca lá ao fundo. E adorei encontrar na chegada as caras amigas de quem me diz tanto. Maior vitória de todas: correr com prazer.

Treinos, provas e planos

Treinar é cada vez mais uma paixão. Não só pelas boas sensações trazidas pela actividade física em si, mas também pela oportunidade de experimentar coisas novas, testar os meus limites e conhecer outras pessoas.

A minha cabeça está sempre a magicar o próximo passo, a próxima aventura, e só tenho pena de o tempo não chegar para tudo. Do lado do que já passou à prática continuam os meus treinos de CrossFit (essa é a base dos meus treinos), a corrida e a minha primeira aula de Jiu Jitsu. Do lado do que ainda não passa de planos está a bicicleta (a ver se pára de chover!), começar a fazer corridas de trail, fazer provas de orientação e um dia fazer uma prova de aventura.

No final de Outubro fiz a minha primeira prova de 10 km, depois disso participei num corta mato de 6 km e inscrevi-me num torneio que inclui várias provas (uma a cada 15 dias). Portanto... vou andar ocupada! Mas a prova que realmente me deu prazer correr foi o Fim da Europa, que merece um post só para si.